Dados de entidades como Abicalçados e Ablac mostram o cenário atual do mercado calçadista brasileiro

Setor Calçadista 2013 - Mercado Calçadista 2013 - Abicalçados - Ablac

Com um importante papel na economia, a indústria do calçado é um dos principais segmentos da indústria brasileira. Com mais de 800 milhões de pares produzidos ao ano, o país se aloca no terceiro lugar entre os maiores produtores mundiais e oitavo maior exportador, segundo a Abicalçados – Associação Brasileira das Indústrias de Calçados.

Em 2011, o Brasil produziu cerca de 819 milhões de pares de calçados. Deste número, o mercado interno consumiu 706 milhões de pares. A quantidade exportada chegou a 113 milhões de pares, que representa 13% da produção nacional, destinados a 150 países. A exportação gerou US$ 1,3 bilhão para o mercado.

Segundo a Ablac – Associação Brasileira de Lojistas de Artefatos e Calçados, as vendas internas foram de 45% foram femininos, 25% masculinos, 20% esportivos e 15% infantis. Atualmente, existem 62 mil postos de venda, sendo 42 mil razões sociais. Além disso, a entidade destaca que o consumo aproximado por habitante ao ano é de 3,3 pares.

Ao todo, o país possui nove polos calçadistas, distribuídos nas regiões Centro-Oeste, Nordeste, Sudeste e Sul.

Polo produtivo – Rio Grande do Sul
O Estado do Rio Grande do Sul é considerado um dos principais clusters calçadistas do mundo. As principais localidades que mantêm arranjos produtivos são Vale do Rio dos Sinos, Vale do Paranhana, Vale do Taquari e Serra Gaúcha.
::: Número de empresas em 2010: 2.929 % do Brasil: 35,8
::: Número de empregados em 2010: 118.397
::: % do Brasil: 34,0
::: Exportações em US$ milhões em 2011: 577,3
::: % do Brasil: 44,5
::: Exportações em milhões de pares em 2011: 22,6
::: % do Brasil: 20,0

Polo produtivo – Santa Catarina
Já o Estado de Santa Catarina mantêm o polo do Vale do Rio Tijucas, formado pelas cidades de Tijucas, Canelinha, Nova Trento, Major Gercino e São João Batista. Cerca de 95% da produção é dirigida ao público feminino.
::: Número de empresas em 2010: 287
::: % do Brasil: 3,5
::: Número de empregados em 2010: 8.155
::: % do Brasil: 2,3
::: Exportações em US$ milhões em 2011: 8,3
::: % do Brasil: 0,6
::: Exportações em milhões de pares em 2011: 0,5
::: % do Brasil: 0,5

Polo produtivo – Região Sudeste
Os polos Calçadistas do Estado de São Paulo são compostos pelas cidades de Franca, Birigüi, Jaú e Santa Cruz do Rio Pardo. O estado concentra os três principais polos brasileiros. O polo de Franca abriga o maior parque fabricante de calçados masculinos do País, enquanto Birigüi detém o título de principal produtora de calçados infantis. A cidade de Jaú vem se destacando pela fabricação de calçados femininos.
::: Número de empresas em 2010: 2.457
::: % do Brasil: 30,0
::: Número de empregados em 2010: 56.331
::: % do Brasil: 16,1
::: Exportações em US$ milhões em 2011: 124,9
::: % do Brasil: 9,6
::: Exportações em milhões de pares em 2011: 5,7
::: % do Brasil: 5,1

Polo produtivo – Rio de Janeiro
O Estado do Rio de Janeiro, através de um projeto desenvolvido por entidades locais, deverá tornar-se um polo calçadista com características muito próprias. Chamado Panorama Carioca, o programa tem como objetivo desenvolver a nova estética do carioca, o que poderá culminar na produção e desenvolvimento de produtos com a marca cultural do Rio de Janeiro. Estima-se que existam entre 400 e 500 fábricas de calçados no Estado do Rio de Janeiro, todas de micro porte que atuam como ateliês. A concentração maior está nas cidades de Belford Roxo, Duque de Caxias, Rio Claro, São
Gonçalo/Niterói, Região Serrana e Rio de Janeiro, capital.
::: Número de empresas em 2010: 49
::: % do Brasil: 0,6
::: Número de empregados em 2010: 957
::: % do Brasil: 0,3
::: Exportações em US$ milhões em 2011: 1,5
::: % do Brasil: 0,1
::: Exportações em milhões de pares em 2011: 0,1
::: % do Brasil: 0,1

Polo produtivo – Minas Gerais
O Estado de Minas Gerais conta com os polos de Nova Serrana, Belo Horizonte e Uberlândia. A diversificação de produtos e de estilos é uma das principais características do Estado de Minas Gerais. O Estado abriga três mil fábricas que empregam 30 mil pessoas. A produção de 20 milhões de unidades, entre calçados e artefatos de couro, soma R$ 1 bilhão.
::: Número de empresas em 2010: 1.428
::: % do Brasil: 17,4
::: Número de empregados em 2010: 30.960
::: % do Brasil: 8,9
::: Exportações em US$ milhões em 2011: 21,5
::: % do Brasil: 1,7
::: Exportações em milhões de pares em 2011: 1,5
::: % do Brasil: 1,3

Polo produtivo – Bahia
Na Bahia, a produção é dividida por diversos municípios. São 66 plantas industriais, sendo 43 de calçados e 23 de componentes, distribuídas nas regiões de Feira de Santana, Alagoinhas, Cruz das Almas, Itabuna, Vitória da Conquista e Ilhéus. Em torno de 30 mil trabalhadores atuam nestas empresas, que produzem anualmente 43 milhões de pares de calçados, além de acessórios como bolsas, cintos, carteiras e pastas.Em 2011, a Bahia exportou sete milhões de pares, gerando uma receita de US$ 78 milhões.
::: Número de empresas em 2010: 104
::: % do Brasil: 1,3
::: Número de empregados em 2010: 39.337
::: % do Brasil: 11,3
::: Exportações em US$ milhões em 2011: 78,0
::: % do Brasil: 6,0
::: Exportações em milhões de pares em 2011: 7,1
::: % do Brasil: 6,3

Polo produtivo – Ceará
Especializado na fabricação de chinelos, sandálias e sapatos de plástico ou borracha, o Ceará é o terceiro maior polo calçadista do Brasil, com 300 empresas. Mantêm os polos de Cariri, Fortaleza e Sobral. O Polo Calçadista do Cariri, formado pelas cidades de Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha começou a se desenvolver a partir da criação, em
1997, do Sindicato das Indústrias de Calçados e Vestuário de Juazeiro do Norte e Região (Sindindústria) e da parceria firmada com o SEBRAE no Ceará. Hoje, a região do Cariri sedia 250 fábricas. Além do Sindindústria e do Serviço Brasileiro de Atendimento às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) do Ceará, outros parceiros vêm contribuindo para o desenvolvimento das indústrias calçadistas do Cariri, como entidades de classe, Governos Estadual e Municipal, SENAI, Banco do Brasil e Banco do Nordeste. Um dos principais fatores competitivos do Estado é a posição geográfica
dos portos do Pecém e de Mucuripe, que reduz o tempo de transporte dos produtos para os principais centros importadores, como Europa e Estados Unidos.
::: Número de empresas em 2010: 294
::: % do Brasil: 3,6
::: Número de empregados em 2010: 63.562
::: % do Brasil: 18,2
::: Exportações em US$ milhões em 2011: 351,6
::: % do Brasil: 27,1
::: Exportações em milhões de pares em 2011: 45,1
::: % do Brasil: 39,9
Polo produtivo – Paraíba
Um dos mais recentes polos de calçados do Brasil, o Estado da Paraíba vem continuamente destacando-se no cenário industrial brasileiro. O polo paraibano de calçados é formado pelas cidades de Campina Grande, Patos, João Pessoa, Santa Rita, Bayex, Guarabira, Catolé do Rocha e Sousa. Congrega cerca de 400 empresas formais, que empregam 10 mil profissionais. Campina Grande destaca-se como a maior produtora nacional de sandálias sintéticas do Brasil.
::: Número de empresas em 2010: 112
::: % do Brasil: 1,4
::: Número de empregados em 2010: 13.744
::: % do Brasil: 3,9
::: Exportações em US$ milhões em 2011: 84,5
::: % do Brasil: 6,5
::: Exportações em milhões de pares em 2011: 23,1
::: % do Brasil: 20,4
Fonte: MTE/RAIS; SECEX/MDIC e ABICALÇADOS

 

Polo produtivo – Região Centro-Oeste
O Estado de Goiás está iniciando suas atividades no segmento calçadista. O objetivo é aproveitar em maior escala o fornecimento de couro. A região Centro-Oeste do Brasil (formada pelos Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e o Distrito Federal) é responsável por 35% do rebanho bovino nacional. Das 210 milhões de cabeças de gado que o País possui, Goiás participa com 21 milhões de animais, detendo a posição de quarto maior rebanho bovino brasileiro. As 170 indústrias de calçados registradas em Goiás – a maioria localizada na cidade de Goianira – produzem 30 milhões de pares de sapatos por ano. Estas empresas geram dez mil empregos diretos e indiretos. O grande objetivo das empresas goianas é aumentar sua presença no mercado internacional. Para atingir esta meta, está estruturando seu Arranjo Produtivo Local, que tem um orçamento de R$ 4,5 milhões. As empresas do polo geram mais de mil empregos diretos e exportam 200 mil pares por ano para mercados como Emirados Árabes, Estados Unidos, Europa e países vizinhos ao Brasil, com faturamento de US$ 2,4 milhões. A indústria de calçados e couro em Goiás, além de ser um setor emergente, é o que mais agrega valor dentro da cadeia produtiva de couro.
::: Número de empresas em 2010: 185
::: % do Brasil: 2,3
::: Número de empregados em 2010: 1.592
::: % do Brasil: 0,5
::: Exportações em US$ milhões em 2011: 0,3
::: % do Brasil: 0,02
::: Exportações em milhões de pares em 2011: 0,02
::: % do Brasil: 0,01

Fonte: MTE/RAIS; SECEX/MDIC e ABICALÇADOS